Como explicar a pobreza e como combatê-la

Noto muita gente engajada na tentativa de explicar e “combater” a pobreza.

“Combater a pobreza” dá até impressão de que a pobreza é uma uma doença contagiosa, uma praga, algo a ser “combatido”. Não! O pobre não ganhou nada que o levou a ser pobre. A maioria dos pobres não é pobre por algo que aconteceu, mas sim simplesmente por que algo não aconteceu. Despidos de posses somos todos igualmente pobres.

A pobreza, meus caros e minhas caras, percebam então, é a nossa condição inicial, nosso ponto de partida. Soltos na natureza somos todos miseráveis.

Querer explicar a pobreza é algo como querer explicar o frio. O frio é a realidade que habita o universo até calor ser criado. É o calor então que precisa ser explicado, caso queiramos mesmo uma realidade menos dura.

A Base Ideológica da Esquerda [2]

Base ideológica socialista [número 2]

O que é liberdade?

–> Liberdade é a capacidade efetiva de se fazer algo específico.

Logo:
(1.1) “As necessidades nos acorrentam.”

(1.2) “A condição natural do homem é de liberdade, na qual suas necessidades estão atendidas.”

Logo então:

(2.1) “Os que não estão com suas necessidades atendidas foram, portanto, prejudicados pelo sistema.”

E essa confusão toda porque confundiram liberdade com poder ou riqueza. A mais interessante de todas é o que surge a partir de 2.1:

(3.1)”O Estado tem que compensar esses prejudicados dando-lhes riqueza ou poder.”

A Base Ideológica da Esquerda [1]

Base: “pessoas não podem cuidar de, ou são um perigo para, si próprias e outros.”

Conclusão imediata: logo, é dever do mundo (ou do governo) criar e cuidar das pessoas (ou do cidadão).

Conclusão segunda: logo, se algo deu errado na vida da pessoa/cidadão, a culpa é do mundo/governo, pois não conferiu a ela o que ela precisava.

O assassino frio pode, na verdade, ser uma vítima!

Luciana Genro e a comoção seletiva

Lembram do caso do brasileiro que foi fuzilado na Indonésia?
No mesmo dia, pela estatística anual, quase 160 pessoas morreram vítimas de homicídio no Brasil.
Mas por que não lamentamos a morte delas da mesma forma que a do brasileiro fuzilado?

Quando nossos ancestrais começaram a viver em bandos a empatia, a preocupação com e a vontade de ajudar o próximo foram traços fundamentais para a prosperidade.

Mas isso acontece quando se trata de próximos, a quem conseguimos verificar. O que criamos atualmente é algo em torno de 7 bilhões de pessoas, é algo inimaginável. É outra estrutura totalmente diferente da do bando, não é simplesmente a expansão desta.

Nos comovemos com o que podemos verificar. Qualquer menino de 10 anos que for morto por bala perdida e noticiado na imprensa gerará comoção.

Outro fator a ser considerado é que a comoção nas pessoas é “ativada” mais com a diferença entre o que acontece e o que se espera do que entre o que acontece e a realidade que se almeja. Então na guerra da Síria, por ex, uma criança morta gera menos comoção que uma criança morta num local pacífico, embora sejam igualmente tristes.

Não sei se por burrice, maldade ou alguma estratégia política bizarra de atrair os revoltados mais emocionados, mas o que Luciana Genro comentou no caso da morte do filho de Geraldo Alckmin é pura disseminação de ódio e preconceito.

Partidos e grupos de pressão

Um dos problemas da política do Brasil é que os partidos não são mais partidos, mas sim uma reunião de grupos de pressão. O PT, por exemplo, é o representante das empresas com as quais se conluia (as que tem um cartãozinho do bndes e que pagam para conseguir obra pública), uma boa parte dos sindicatos, dos países de caráter populista/socialista (reunidos no Fóro de São Paulo) e, o que lhe dá tanta força, de todas as pessoas sustentadas pelo partido.

Neste sentido, o único partido atualmente existente neste país que tenho impressão que ainda é realmente um partido, com ideias para a nação (embora não concorde com diversas) e não para grupos de pressão, é o PV. Mas aposto fortemente nos partidos que estão surgindo (nos que não são legenda de aluguel), principalmente no NOVO, de viés liberal, pelo seu caráter republicano e descentralizador, além da REDE, por aparentemente também ter boa lucidez econômica e levantar a bandeira da sustentabilidade (ambas características de quem enxerga a longo prazo). E espero sinceramente que surjam outros partidos realmente representativos de ideias, como por exemplo um partido conservador (já que dizem que a maioria dos brasileiros são conservadores) e um partido progressista (que não seja o atual parceiro de crime do pt). Já que teremos um liberal, que surja então um social-democrata, pra quem achar que ainda precisamos de mais uma dose disso, mas onde nenhuma dessas raposas velhas que governaram o país nas últimas décadas faça parte.

Enfim, quando os partidos forem partidos de verdade, preocupados com o Brasil de forma geral – cada um com suas ideias próprias para o país – teremos um grande avanço na política, na efetividade da democracia.
E enquanto tivermos um governo intervencionista, um governo que possa sair dando privilégios ao grupo que quiser, estaremos condenados a ser governados pelos grupos de pressão.

Como confundir esforço e resultado criou paradigmas sociais falhos

Há basicamente três maneiras de medir uma realização humana, um trabalho realizado. Essas diferentes maneiras são aplicadas aos diferentes modos que existem de se fazer um contrato. As três formas de medir são: por disponibilidade, por esforço ou por resultado.

A primeira delas, por disponibilidade, é a mais simples de se medir. A medida é tomada pelo tempo que os recursos (contratados) estiverem disponíveis para o trabalho.

A segunda, por esforço, é dada pela quantidade de trabalho realizado na execução do serviço ou produção do bem. Pode-se medir, por exemplo, o tempo efetivamente gasto dos recursos na realização do serviço (excluindo-se o tempo parado), ou o produto do esforço, como por exemplo a área de alvenaria levantada, no caso de uma construção, a quantidade de intervenções no caso de serviços de manutenção, ou a metragem de fio transformada em tecido, no caso de uma indústria têxtil. O tempo efetivamente gasto é uma medida de esforço mais próxima da disponibilidade, já o produto do esforço é mais próximo do resultado.

A terceira forma de se medir, por resultado (ou performance), é verificar a aderência do produto do trabalho (bem ou serviço) ao que é realmente almejado. No caso de um serviço de manutenção de equipamento, por exemplo, seria verificar o quanto de disponibilidade[1] e de confiabilidade[2] do equipamento se conseguiu após o serviço. Numa construção seria, por exemplo, avaliar o atendimento aos prazos e a qualidade da obra. O resultado é o tamanho do impacto, a diferença que o produto do trabalho faz.

CONTRATOS FORMAIS

Em contratos medidos por disponibilidade é onde há o menor alinhamento de interesses entre as partes (contratado e contratante). O contratado agirá aqui pela lei do mínimo esforço, simplesmente porque quanto menos esforço fizer ele terá mais lucro. Experimente, ao contratar um pedreiro para uma reforma na sua casa, pagá-lo por diária de serviço que você entenderá o que quero dizer.

Já em contratos pagos por esforço, o alinhamento de interesses fica um pouco melhor. O contratado não pode mais ficar simplesmente disponível sem realizar trabalho. Contudo, há nesta modalidade ainda dois problemas, dois desalinhamentos de interesses: a realização de serviço não útil e o descaso com a qualidade. O primeiro desses problemas pode ser eliminado pela medida de esforço através do produto do esforço (normalmente quando o serviço realizado não é útil não gera produto mensurável), mas não o segundo. Num contrato de serviços de manutenção isso é fácil de ser visto: a qualidade do trabalho não é interesse da contratada, pois diminuirá o esforço no futuro (com novas manutenções) e consequentemente o seu faturamento.

Em contratos pagos por resultado são colocados indicadores de performance que, se bem escolhidos, representam o fim útil ao contratante do produto do trabalho da contratada. O faturamento da contratada depende do atingimento desses indicadores. Neste caso o alinhamento de interesses é completo, o contratado ganha mais tanto quanto atende ao que o contratante quer.

ECONOMIA

Neste contexto, encontramos em Economia a “Teoria do Valor Trabalho”, que reza que o valor de uma mercadoria é determinado pela quantidade do trabalho necessário para produzi-la. Sobre este assunto disse Marx:

Mercadorias que contêm as mesmas quantidades de trabalho ou que podem ser produzidas no mesmo tempo de trabalho, têm, portanto, a mesma grandeza de valor. O valor de uma mercadoria está para o valor de cada uma das outras mercadorias assim como o tempo de trabalho necessário para a produção de uma está para o tempo de trabalho necessário para a produção de outra”.

A partir da Teoria do Valor Trabalho, Karl Marx encontrou a “mais-valia”, seu bastião da crítica contra o então incipiente sistema capitalista. A mais-valia seria a diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador. Dizia ele mais ou menos o seguinte (em adaptação para o contexto atual): o trabalhador trabalha oito horas por dia, em quatro horas ele produz o mesmo valor de seu salário, nas outras quatro horas ele cria valor, do qual o patrão capitalista se apropria. Concluiu então que o Capital multiplica-se pela exploração do trabalho.

Ora, que o patrão está exposto aos riscos do mercado, inclusive do produto não ser aceito e que geralmente o empregado recebe seu salário antes do produto poder virar lucro na mão do patrão já se sabe que ele esqueceu de notar. São aspectos mais comportamentais que a sua visão estrutural das coisas não conseguiu perceber. O que quero tratar agora é da Teoria do Valor Trabalho. Não é difícil perceber que ela confunde Esforço com Resultado. O Valor (ou valor-de-uso) de uma mercadoria é o resultado, o impacto que ela causa, aos olhos do usuário final.

Uma aproximação matemática para a relação entre Resultado e Esforço seria:

Resultado = Esforço * eficiência * eficácia + fatores diversos sobre os quais se tem pouco ou nenhum controle.

A eficiência está relacionada com os custos envolvidos. Quanto menos recursos (tempo, mão-de-obra, materiais) forem gastos no processo maior será a eficiência. Grosso modo, eficiência é fazer bem. A eficácia é, dado um objetivo, fazer coisas que façam o trabalho avançar em direção ao objetivo. É o grau de atingimento do objetivo. Grosso modo, eficácia é fazer certo. Os fatores diversos sobre os quais se tem pouco ou nenhum controle é o que podemos chamar inicialmente de “sorte”, mas que em maior ou menor grau podem ser avaliados e então tentar adaptar-se a eles.

Portanto muito esforço com pouca eficiência ou pouca eficácia não levará a bons resultados. E ainda mesmo trabalhos realizados com muita eficiência e eficácia podem ter pouco valor por fatores diversos que podem fazer com que a mercadoria tenha pouco impacto, faça pouca diferença. Mais além, bens sem nenhum trabalho agregado podem ter valor, pois têm outros fatores. O Resultado é exatamente a Efetividade!

Em sua obra principal “O Capital”, Marx explica que o trabalho que determina o valor de uma mercadoria é o “trabalho social médio”, trabalho este realizado em condições regulares e por uma força de trabalho com condições médias de habilidade. Ora, o que ele fez com isso foi aproximar um pouco mais o esforço do resultado através da consideração da eficiência média. A fórmula ficaria o seguinte:

Resultado = Esforço de eficiência média * eficácia + fatores diversos sobre os quais não se tem controle.

Continua assim ignorando a eficácia e os fatores diversos. Um exemplo simples do fracasso da Teoria do Valor Trabalho é pensar no trabalho de um homem cavando um buraco no meio do chão do lugar onde você está agora por duas horas. O valor desse buraco é o valor das duas horas de trabalho do homem? Claro que não. Já uma ilha virgem cheia de recursos naturais não valeria nada, pois não tem trabalho agregado. O que está errado com essa teoria? O buraco não vale nada ou tem valor negativo porque não causa nenhum impacto ou causa até um impacto negativo. Olhando para dentro da fórmula: o buraco não tem valor, ou tem valor negativo, porque o trabalho não teve eficácia (qualquer que seja o objetivo pretendido) ou teve até eficácia negativa (ficou mais longe do objetivo pretendido).

A crítica marxista do sistema capitalista é falha pois está sustentada numa teoria falha.

Vejamos agora outra teoria sobre valor de uma mercadoria. A Teoria da Utilidade Marginal, demonstrada por Carl Menger, reza que o valor de uma mercadoria é dado pela utilidade de um bem adicional dessa mercadoria. O produto vale tanto quanto o impacto que ele causa. A teoria vai mais além: a utilidade marginal é decrescente, quanto mais produtos existem menos útil o próximo se torna. É essa lei que explica, por exemplo, a razão de diamantes valerem mais que água.

A Teoria da Utilidade Marginal considera que o valor-de-uso é o resultado, a efetividade da mercadoria, subjetivos ao usuário final, o consumidor. A teoria da utilidade marginal é a que representa o alinhamento de interesses no contrato social tácito entre produtor e consumidor. A Teoria da Utilidade Marginal é a única verdadeiramente representativa do Valor, porque, apesar de ser uma teoria que não possui a pretensão de prever matematicamente o valor-de-uso, é a única que considera o resultado daquilo que é produzido e não o esforço envolvido na produção.

O Capital agora, sabe-se portanto, cresce apenas ao atender aos interesses dos usuários finais dos seus produtos. O Capitalista, como escrito por Mises, não é o “Rei dos carros”, o “Rei dos Móveis” ou o “Rei dos Colchões”, ele está mais para o “Servo dos carros”, o “Servo dos móveis” e o “Servo dos Colchões”. O seu chefe, em última análise, é seu potencial cliente. E para ficar rico o capitalista precisa atender às massas.

Apesar disto tudo, há ainda uma forte crença social difundida – que muitas vezes parece assumir o caráter de doutrina – de que o capitalismo é a exploração dos trabalhadores. Além disto há outros paradigmas sociais falhos criados por inadvertência ou pela confusão entre esforço e resultado, como o de que um mundo justo seria o que recompensasse igualmente os esforços iguais.

[1] Percentual do tempo em que o equipamento fica funcional em relação ao tempo total.

[2] Relacionado à probabilidade de um equipamento desempenhar sua função sem apresentar falhas. Quanto menor a taxa de falhas, maior a confiabilidade.

Lei de igualdade salarial de gêneros é lei anti-mulher.

Soube do Ogronaro dizendo que patrões podem pagar menos às mulheres porque elas engravidam? Isso ligou o seu alerta politicamente incorreto e deixou você revoltado? Esse texto é especialmente para você.

Todos sabemos que é a mulher que engravida e que precisa se ausentar do trabalho para cuidar do bebê. É um direito adquirido. Há alguma dúvida de que, por ter que se ausentar mais, para ter filho e pelas ocasionais dificuldades naturais do parto, a mulher passa menos tempo produzindo? E ainda, há alguma dúvida de que, além dessa menor produção, a ausência pelo período da maternidade gera transtornos para redistribuição do trabalho que a mulher fazia?

Todos devem saber também que no Brasil o homem se aposenta com 65 anos de idade e 35 anos de contribuição e as mulheres com 60 anos de idade e 30 anos de contribuição. Ou seja, a mulher empregada tem cinco anos de prestação de serviço a menos (apesar de viverem mais).

Ora, deve ter ficado claro e evidente então que as mulheres produzem menos. Por ter menos habilidades? O grande pensador John Stuart Mill, pai do liberalismo vitoriano e defensor das causas das mulheres, já afirmava lá na primeira metade do século XIX: “a única razão para acreditar que as mulheres não podem fazer o mesmo que os homens fazem é nunca terem deixado elas fazerem”. É claro que não é por menos habilidades. Produzem menos por menor tempo dedicado ao trabalho.

Agora raciocine: porque alguém iria preferir pagar o mesmo para receber menos de volta? É natural que com salários iguais ele prefira contratar um homem e deixe a mulher desempregada.

Mas ok… Vamos supor agora um mundo cheio e generalizado de preconceito contra as mulheres. A lei de igualdade salarial de gênero serviria então para alguma coisa? É claro que não! Nesse caso ela prejudicaria ainda mais as mulheres, pois a preferência pelo homem seria maior ainda!

Dada a diferença de produção, igualdade salarial de gêneros é lei anti-mulher pela mesma razão que o aumento indiscriminado de salário mínimo é uma lei anti-pobres. Enquanto um salário mínimo baixo pode ajudar a combater alguns abusos pontuais, o aumento dele acima do preço de mercado da mão-de-obra menos qualificada só traz desemprego para os de educação mais humilde. Só se contrata quem produz mais do que custa. Se não seria consumo de recursos, custo e não produção de mais recursos. Não adianta, não tem mágica, não precisa ser um gênio econômico para perceber. Se então uma pessoa que teve menos acesso a educação tivesse chance de ser contratada, por um salário menor, ela poderia crescer profissionalmente pela experiência e fazendo cursos que as empresas oferecem aos empregados, o que aumentaria seu salário, melhorando suas condições de vida. Se a mulher, que fosse vítima de preconceito, tivesse a chance de ser contratada, ela poderia mostrar sua capacidade, o que melhoraria imediatamente sua barganha por salário.

No Brasil, segundo o IBGE, a taxa de desemprego entre as mulheres é de 7,7% e entre os homens 5,6%, uma diferença até pequena. A diferença salarial chega a 27,1% pelo PNAD 2012.

Não adianta olhar apenas como as coisas estão dispostas e querer mudar a situação à força. Tenho dito: é preciso enxergar como as coisas se comportam.

Este breve texto se preocupou em demonstrar o mal causado às mulheres por um eventual aumento de rigor na lei de igualdade de gêneros. Não se preocupou muito em explicar as razões da diferença salarial, atendo-se apenas à maternidade e à aposentadoria. Outra causa que pode ser considerada, com cautela e estudo, é a cultura do modo de criação das meninas e dos meninos em épocas anteriores. Para tantas outras possíveis razões recomendo a leitura do seguinte artigo: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1246